22 Junho 2008




Você já teve vontade de sumir?
Simples, assim. Você já teve?
Sumir, como se todas as dores e amores fossem em vão? Para ver se as dúvidas saem da sua cabeça? Se o ódio sai dos seus sentimentos? E se a distância volta a fazer sentido para o coração?
Simplesmente porque a vida cansou, e nada mais faz sentido.
Será que essa vontade passa rápido?
Ou será que a gente precisa de um beliscão para voltar para a realidade?
E voltar a acreditar que a rotina, ônibus lotado, salário mal pago, frio, stress, sorrisos forçados, conveniências, contas no fim do mês, distância de quem se gosta, e tudo o mais faz parte da vida que se tem.


É, tomara que passe rápido.


17 Junho 2008



Há tantas coisas que eu gostaria de te dizer. Coisas que vão muito além do que a história de uma lagarta que um dia se transformou numa bela borboleta. Aquela que fez se encantar seus olhos, ao exibir asas cheias de lantejoulas com movimentos quase reais.
Domingo passado, quando olhei teus olhinhos fechados e suas mãos postas meu coração se enterneceu ao ouvir as doces palavras da oração que seus lábios me ditavam. Meu coração se encantou diante de sua grandeza.
Quando corre por entre as árvores, entoa as canções, ri alegremente e fala de um tal Mestre que mora dentro de teu coração, o meu se enche de esperança. Essa tal esperança que andava distante de minhas palavras.
E eu me sinto tão pequena diante de tanta coisa que eu gostaria de te falar. Por mais que eu saiba que minhas palavras não matam sua fome, não te cobrem do frio, não te livram do preconceito e nem asfaltam sua rua. Mas, eu insisto. Porque meu coração necessita.
Ah, seu eu pudesse fechar teus olhos puros, guardar-te em minha redoma para que o mundo não te devore, para que o sofrimento não te alcance. E que para sempre você fosse criança....

08 Junho 2008


Quando o mundo me cansa eu só quero você. Só sentir a textura da sua pele. O quente dos seus carinhos. Deitar ao seu lado e ficar conversando sobre qualquer bobagem. Fazer planos para a fortuna que um dia ainda vamos possuir. Te encher de beijos de bom dia. E sentir seu mau-hálito pela manhã, só pra ter certeza de que você é de verdade, por mais perfeito que pareça aos meus olhos.
Sim, é você. Homem que um dia eu pedi a Deus. Que me descobre. Que me confia. Que me acalma.

O mundo me cansa tanto. As conveniências que ele me pede. As regras que ele me dita.

E eu só preciso de você pra me aliviar o cansaço. Pra acalmar meus hormonios e fazer passar a dor da distância. Sim, da distância, essa maldita que nos separa. Que nos tortura. E que nos prova.

Ah, tola distância, eu adoro provar que sou mais.

06 Junho 2008


É, eu vejo pouco a pouco a menina se tornar mulher.
Sabe, dessas de cabelos lisos que balançam ao vento. Dessas, que se pintam. Que se enfeitam. Que se perfumam.
Sim, uma mulher. Dessas com agenda, maquiagem na bolsa, sapato nos pés e salto alto. Planos para o futuro e esperando para ser chamada "num" concurso.
Linda.
Sim, uma linda mulher.
Por mais que aquela garotinha gorda, de óculos de aro dourado (?!?!), camisetão, cabelo sempre preso, faladeira teime em acreditar.
Ainda que que a menina insista em falar alto demais, rir quando não deve e dar os foras mais engraçados sempre.
Ela agora olha no espelho e suspira admirada. A garotinha gorda nunca imaginou que ia se tornar uma mulher tão bonita.

01 Junho 2008


A verdade é que depois de certo tempo as pessoas se acostumam com as coisas.
Assim como eu me acostumei com a cidade cinza.
Ela se acostumou com a fome, para manter-se magra.
Ele se acostumou a elogiar para fazê-la feliz.
O outro se acostumou a sorrir pra não ter que dar explicações.
Ou ainda a guardar pequenas raivas para não criar conflitos.
Ela se acostumou a sentir dores nos pés ao invés de descer do salto.
E a fazer tudo correndo porque deixou para a última hora.
E sabe de uma coisa? A gente se acostuma de certa forma que passa a fazer sentido desse jeito.

É, a cidade cinza faz sentido as vezes. Guardar certas coisas para não magoar os outros também. Acordar cedo. Ganhar pouco. Ouvir sempre. Calar quando preciso. Beijar de mês em mês. Ouvir sua voz pelo telefone. Comer moderadamente. Planejar. Chorar baixinho embaixo do chuveiro. Calar minha dor frequentemente.

Sabe, a gente se acostuma sim. E se acostumar quase sempre, machuca.

31 Maio 2008




Um dia eu te pedi pra Deus.
E eu gostaria de ter gravado cada respirar nosso desde que você chegou.
Por razões que a própria razão desconhece (como diria alguém em algum lugar).
Talvez seja por causa da sua voz.
Pela certeza que ela me confia.
Por me fazer arrepiar ou me falar ao pé do ouvido.
Pelas palavras de amor que só ela é capaz de me fazer ouvir e acreditar.
Talvez pelos beijos, pelo toque, carinho, dormir de conchinha e olhar nos meus olhos com vontade.
Talvez pelo modo como você me faz rir.
Ou pelo modo como eu me viro e desviro de preocupação com suas gordurinhas, colesterol, glaucoma e todos as demais coisas que me trazem a sensação maravilhosa que você é de verdade.
Ou pelo modo como eu faço nossos planos sem medo.
Ou porque só você sabe dos meus segredos mais incontáveis.
Talvez seja por causa da sua preguiça que me irrita.
Ou ainda por causa da intensidade futebolística que paira em você.
Ou simplesmente porque Deus, e só Ele seria capaz disso, juntou nossos caminhos no momento exato (isso com certeza).
Ou porque naquele dia no aeroporto quando você me beijou pela primeira vez eu desejei sentir isso pelo resto de minha vida.
Ou ainda por que eu adoro discutir suas idéias neoliberais.
E te depilar. E te ensinar a cozinhar. E dividir meus dias todos com você, como em um certo janeiro.
Ou porque amo poker com você, e fico admirada com suas argumentações quando a "cidade dorme...".
Ou ainda seja porque quero ensinar o Daniel Jorge a escrever seu imenso sobrenome.
Ou também porque vai ser muito brega casar em 10/10/10 às 10hs, mesmo que quando chegar lá isso não dê certo e ainda exista esses tantos KM que insistem em nos separar.
Ou talvez seja por causa de sua inteligência encantadora.
Ou ainda por sua fé. Por sua força, Sua fragilidade escondida...
Não sei, o amor não precisa de motivos.
Eu creio que escrever sempre será meu mal.
Meu vício, ainda que as vezes insista em se acalmar.
Em se calar.
Eu aperto cada sentimento dentro de mim pra ver se o entendo.
Mas eles são tão inconstantes e às vezes tão determinados que me assustam.
Esse tal de tempo passou tão rápido.
E esse tal de sentimento insiste em você.
Você.
Você..
Você...
Pra sempre...
A cada passo que o relógio dá quando os teus passos acompanham os meus, o meu coração entrega os pontos e se rende. Esquece os medos, abre as comportas, desiste de rimar razão e sentimento. Simplismente porque não rimam. E a cada passo sem teu passo, o meu tolo coração suplica. Pede, implora pela sua voz no meu ouvido, seu cheirinho de manhã, suas piadas de pedreiro, seus braços no friozinho da noite e seu corpo abraçado ao meu. Relembra, repassa, recorda cada segundo ao seu lado só pra ver se a dor vai embora... mas ela não vai enquanto você não vem.


[23 de junho de 2007]


E hoje nos lembramos

Sem nenhuma tristeza

Dos foras que a vida nos deu

Ela com certeza estava juntando

Você e eu




Minha herança: uma flor - Vanessa da Mata
[04 de junho de 2007]


A menina espera, porque o relógio teima em passar devagar. A cidade vai se colorindo aos poucos. E seu coração pode bater levemente. Porque seus pés pisarão as mesmas calçadas. Seus cabelos serão balançados pelo mesmo vento. E a dor da ausência se fará ausente enfim.


A menina espera, porque tem saudade sem fim. Do seu cheiro, sua voz, seus braços, beijos e presença. E das borboletas que fazem os medos irem embora aos poucos.
[12 de maio de 2007]



Tem dias que a cidade cinza descansa nos meus olhos sossegada. Descansa seus tons em branco e preto como se não soubesse que eles me machucam. Tem dias eles parecem mais cinzas. Hoje, acho que porque ontem meus olhos se fecharam em outro tom. E de repente se abriram no cinza dessa cidade. Quem sabe seja só uma desculpa pra eu poder brincar com as minhas metáforas. Não sei. Ou a procura desesperada pelos motivos. Só porque meu coração insiste em procurar, e só por isso ele insiste em bater. Tenta enganar meus olhos, sorrateiro. Mas nunca consegue. E meus olhos, vez ou outra, se cansam dessa brincadeira. Respiram fundo (se é que isso é possível) e tenta a todo custo acomodar a dor num cantinho. Pra ver se esqueço que os motivos estão tão distantes dos meus olhos.
[02 de maio de 2007]

A busca cessou-se.
Enfim.
Meus olhos podem fechar-se com calma.
Minha cabeça pode recostar-se.
Minha mão pode descansar na tua.
Meu coração pode bater levemente.
E minha alma pode retirar a antiga placa.
Porque nos teus braços eu sinto gosto de paraíso.
Gosto de pra sempre.
Como nunca o meu faz-de-conta imaginou que ia ser.






[17 de abril de 2007]
As palavras me parecem sempre poucas. E ainda assim preciso delas. Mesmo que só eu saiba as pausas certas. Mesmo que somente eu e você, você e eu compreendamos o sentido.




A menina olha o relógio. Seus ponteiros nunca pareceram andar tão devagar.
E cada movimentar nunca lhe pareceu tão macio.
É o tempo que passa.
E faz ficar mais perto dela o dia.
O dia de desmaiar.
De fechar os olhos e perceber que a espera findou-se.
E que enfim, o menino não existirá mais somente dentro dela.
Mas estará ao seu lado...
Sem meias palavras.
Nem saudade.
Nem distância.
Nem nada.
Só o sentimento.
E o menino a beijar uma flor.
[31 de março de 2007]


Fecha teus olhos, me dê a mão. Faz de conta que não existe distância. Só pro meu tolo coração acreditar. E pedir à nostalgia que pare de formular regras. Que feche os olhos e sinta. Somente. Cada palavra sua pulsar em minha alma. A dor da saudade me acalma, porque ainda que seja dor, é melhor que a da solidão. Todo medo foi embora, e eu posso respirar enfim.


Por favor, fecha teus olhos, me dê a mão. Faz de conta comigo. Deixa eu sentir tua respiração, teu riso, tua voz. A ausência da ausência. Canta baixinho nossa música enquanto caminha. Faça dessas palavras a minha presença. E espera...


... a menina também...
[20 de março de 2007]


As palavras são poucas, desbotam com o tempo. Não conseguem dizer do sentimento que meu coração teima em acreditar. Só porque você chegou, e eu juntei os pedaços que eu perdi um dia pelo caminho. E rezei baixinho, tantas vezes, por você sem eu saber sequer. Na certeza de que nossos caminhos nos trariam até aqui. E hoje as tuas linhas me fazem esquecer da cidade cinza, da distância, da desesperança. Dos sonhos que haviam se perdido, e que voltam agora timidamente. As palavras me parecem desnecessárias. Porque ainda que eu escreva e reescreva, são só palavras. E eu preciso que o sentimento faça sentido. Ver deitar o sol sob os teus braços, castos. Na esperança de que um certo pressentimento não se cumpra. Eu não tenho pressa. Eu estou a te esperar...
[15 de março de 2007]


As palavras são concretas demais. Elas permanecem aqui, ainda que os sentimentos passem. Ainda que eles pereçam. Ainda que não façam mais sentido. No exato momento em que as coloco aqui, elas tomam o mundo. Me definem. Me torturam. Me salvam. Me aliviam. Travam uma batalha constante com meus sentimentos que teimam em correr de lá pra cá, como criança traquina. As palavras ficam. Contra a minha própria vontade. Na esperança, de que um dia, quem sabe, voltem a fazer sentido.



"Escrevo como que para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha." Clarice Lispector.




[06 de março de 2007]








Ah, se eu pudesse por um instante, compreender meus próprios sentimentos.
Talvez eu achasse as respostas certas.
Ou talvez ficasse louca.
Não sei.
Dos meus sentimentos eu não presto conta.
Não dou recibo.
Nem nota fiscal.
Nem comprovante.
Nem garantia.
Pois eles mudam com tanta frequência, que me dão nausea.
E essa inconstância me tortura.








[03 de março de 2007]
Eu gostaria de conseguir escrever sem parecer superficial. Mesmo que só sinta verdadeiramente, quem vive. Esses dias de felicidade que têm gosto, enfim, de paraíso. Ou de como eu imagino que ele seja. Sentir as horas e horas de ônibus. As pernas inchadas. Os sorrisos. O mau hálito de manhã. A saudade matada aos pouquinhos, devagar como tortura. A amizade, que me sussurra eterna.
Se ainda agora eu fechar meus olhos, posso fazer de conta que não acabou. Posso sentir novamente aquela felicidade. Indescritível. As palavras, as músicas, as vozes, as mãos, as promessas de não se abalar com o tempo. E de sermos irmãos uma vez por ano, como eternidade. Se fecho meus olhos, consigo sentir cada sorriso, cada palavra, que fez com que eu sentisse meu coração bater novamente. Pelo ideal que havia se perdido no eco. No eco das minhas dúvidas.
Se exatamente agora eu fechar meus olhos, não os abro mais. Porque, enfim, sinto a felicidade. E posso pôr meus pés no chão.




[26 de fevereiro de 2007]
O paraíso não existe. Eu sei. Mas vamos fazer de conta. Que existe algo além. No fim do arco-íris. Pra gente correr atrás. Dos nossos sonhos imensuráveis. Dos campos verdes pra gente correr. Da felicidade pra gente viver. Da coca-cola pra gente beber. Sem culpa. Vamos fazer de conta. Que o beijo vai ser como a gente imaginou que ia ser. Sem meias palavras. Sem silêncios pertubadores. Só a doce ausência da saudade. Sentir o mesmo vento bater no rosto. Caminhar nas mesmas calçadas. E perceber que o sentimento faz sentido, enfim...
[06 de fevereiro de 2007]
A menina caminha a passos lentos. Chove, ela quer sol. Salgado, ela prefere doce. Quente, ela grita o frio. Calmaria, ela espera a tempestade. Contraditória. Confusa.Se ela sonha nunca é de verdade. Se ela pede, quando chega não quer mais.
A vida pede para ela, coisas que ela não pode dar. Respostas, que ela não tem. Decisões que ela nao quer tomar. Como se fossem café amargo.
A menina quer, brincar pelo caminho. Esperar a vida dar as respostas. Mesmo que ela não saiba de que raios de pergunta é que se trata. Aproveitar cada segundinho. Cada palavra. Cada sentimento entregue. Ao invés de deixar a distância bater martelinho na sua cabeça.

Ela nunca sabe onde vai. Por onde começa. Pra que serve. Nunca sabe o lugar. Nem o que quer. Nem quem....



[01 de fevereiro de 2007]


Conselho é uma forma de nostalgia. Não existem regras gerais. Graças a Deus. Mas tem sempre alguém que acredita piamente, se não deu certo um dia comigo, não dá certo e ponto final. Torna-se uma regra em segundos. Um conselho para se dar, como quem dá milho aos pombos. Já dizia o velho ditado "se conselho fosse bom, não se dava, vendia." Mas para a vida, meu bem, não se deve formular normas. Por mais que nós insistamos nisso, sempre. Para a vida, para o amor, para a amizade, para a liberdade, para a saudade, para nada, enfim. Ainda que nosso coração as formule contra a nossa própria vontade...
E teime em não entregar as chaves. E a querer seguir as velhas regras.


Mas não adianta, o ser humano é nostálgico por natureza...
[27 de janeiro de 2007]
Pra você eu não preciso me fingir de doce. E você me descobre mais do que eu consigo mostrar.
Somente porque temo. Porque uso a razão, sem querer. Porque não consigo, e me odeio por isso.
Com você, só com você, eu senti novamente, ou talvez pela primeira vez, meu coração bater forte o suficiente.
Só de ouvir sua voz me pedindo pra ser seu cobertor de orelha.
E marejar os olhos de vontade de ter você por perto.
Ter coragem de encarar meus medos, só pra sentir sua respiração um dia.
Por você eu fecho meus olhos tarde.
Deixo pistas, nas entrelinhas.
E mesmo assim, não consigo te entregar, o meu pobre coração.
Fecho as mãos como uma menina boba.
Que tem medo do que desconhece.





[24 de janeiro de 2007]


A menina sempre reza. Baixinho. Embaixo do chuveiro.
Pedindo para acreditar que suas preces são ouvidas.
Para a vida deixar de querer ser cinza.
Para o travesseiro deixar de ser seu único companheiro.
Para a tela deixar de ser o único meio.
Para as palavras terem vontade de ser mais alegres.
Pede para o fardo ser mais leve.
Pede para a cabeça deixar de ser dura.
E para o coração parar de insistir em se contradizer.
Ela reza.
Baixinho.
Tem medo.
De falar sozinha, sempre.
[20 de janeiro de 2007]

Eu só queria. Não ter mais que falar sozinha. Não ter mais vizinhos desconhecidos. Não ter mais que ficar sexta-feira a noite aqui. Ou ouvir sempre as mesmas vozes. Ou tentar gostar só por assim dizer. De quem gosta de mim. Só porque gosta de mim.
Só pra ver se assim, eu sentia os motivos.
Mas.. eu devo ter mesmo uma cara muito nojentinha. Dessas que espantam. Cara de limão. Cara de quem tem o ego maior que a alma. De quem acha que o mundo gira entorno do umbigo. Dessas que fazem eles pensarem que eu sou muda. E surda também. Que não ouço as suas vozes da minha janela. Que não ouço o seus risos. E que não os invejo. Por mais que isso soe ridículo aos meus ouvidos. E como soa...
Talvez eu seja mesmo. Uma cara de limão. Anti social.
Sozinha. Com vontade de ir embora.
Agora. Já.

Ah, deixa pra lá.
[20 de janeiro de 2007]


Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente.


Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça.


Não espere. Promessas, vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos, se realizam, ou não.


Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir.

E só.




[13 de janeiro de 2007]



Eu cheguei a acreditar. Fechei meus olhos com força. Não olhava mais o horizonte. Não olhava mais o céu. Nem me deitava na rede. Achei poder sobreviver assim. E que esconder a saudade embaixo do tapete, fosse me fazer crer. Mas a dor continua aqui. A cada duas palavras uma é saudade. E eu me canso. Mas não passa. Bobagem. Não é o tempo todo.

[07 de janeiro de 2007]

Apertem os cintos que a felicidade mora aqui dentro.
Olha o verde se perder no horizonte.
Descobre os desenhos que a nuvem fez no céu.
Coloca Elis Regina pra embalar os nossos sonhos.
Chico Buarque pra cantar e repetir.
Pede pro relógio passar lentamente.
Come chocolate sem culpa.
Tem medo da chuva forte lá fora.
Me diz aí quem é o compositor.
Vê na janela corrida de pingos.
Faz planos pra um futuro incerto.
Dorme sem sono.
Fala da vida na cidade cinza.
Ri do que não se pôde compartilhar.


Conta cada um a sua vida, na esperança de que elas voltem a ser uma só.
[04 de janeiro de 2007]

Dos sete pecados, eu fico com a gula
Doce de leite ninho caramelizado
Batata recheada de strogonof
Suco de morango com leite
Chocolate meio-amargo
Pão com manteiga
Rolinho primavera
Arroz com feijão
Pastel de feira
Pão de queijo
Suco de uva
Batata frita
Ovomaltine
Churrasco
Coca-cola
Yakisoba
Tapioca
Risóles
Confeti
[08 de dezembro de 2006]



Seus olhos não encontram os meus. Suas mãos não seguram a minha enquanto caminho. Não ouço sua voz. Não ouço seu riso.
E mesmo assim. Eu quebro minhas tolas regras. Deixo pistas, sem pensar. Sinto seu riso, suas palavras, e borboletas na barriga. Ah, borboletas na barriga...
[07 de dezembro de 2006]
Eu não sei falar do amor. Do amor naquele sentido. Talvez porque eu nunca tenha sentido meu coração bater forte o suficiente. Ou a minha respiração se perder de mim.
Talvez por isso eu elabore minhas próprias teorias. E tento segui-las cegamente. Talvez por isso eu tenha minhas regras inquebráveis. Por nunca ter sentido algo que me faça ter vontade de não tê-las. Fazê-las picadinho.
Quem sabe é pedra, o que tenho do lado esquerdo. Quem sabe é verde. Não sei.
O vale da solidão é comodo demais pra mim.
E eu me espreguiço.
Me canso.
Me deito.
Me esqueço.


[01 de dezembro de 2006]
Calma. Respira fundo. Tudo vai passar. A dor de cabeça. O cansaço. A desesperança.

Ela abre os olhos. Levanta da cama enquanto seu corpo implora por mais cinco minutinhos. Toma seu banho gelado. Café da manhã mais ou menos. Abre a porta e olha o dia que vem pela frente. Onibus lotado. Faculdade nem tanto. Respira fundo. Sua cabeça em outro lugar. Fila. Almoço sem sal. Trabalha com dor de cabeça. E sorri pra não ser incomodada. Bate o ponto. Se equilibra no ônibus. E desce para o resto do dia.
Ah, essa vida de proletária. Volta pra casa não sei porque. Não sei por quem. E deita a cabeça no travesseiro como quem não quer o resto do dia.

Calma. Respira fundo. Tudo vai passar. A dor de cabeça. O cansaço. A desesperança.



[30 de novembro de 2006]

Quero saber. Do seu beijo. Seus olhos. Sua voz. Sua boca. Sua nuca. Seu coração. Ah, eu preciso saber. Que dia sua vida topa na minha. Que dia seus olhos seguirão meus passos. E minha imagem existirá em sua mente, em seus desejos, em seus sentimentos.
A multidão passa. A passos lentos. Cansados. E a menina insiste em procurar. Reluta em meio ao passado. Contra seus próprios medos.
Insiste em acreditar. Na sua voz calma. Suas mãos. Seu cheiro. Seu sentimento. Sua imagem desconhecida.
E a tua ausencia me move.
Mesmo sem saber quem é você..
[25 de novembro de 2006]
A menina sentou-se no degrau para esperar a chuva passar. Olhou a rua ao longe com o canto dos olhos como quem quer entregar os pontos. Respirou fundo. Olhou as horas. E ficou a ver o sol se pôr por trás dos prédios. Os pingos caíam pesados, nos telhados, nos carros, na rua. E a menina ficou a olhar as pessoas correndo da agua que caía do ceú. Límpida e gelada. Sentada no degrau a se proteger de sei-lá-o-quê a menina sentiu-se tão adulta que teve nojo dela mesma. E sentiu vergonha de estar sentada no degrau. De tentar protejer o cabelo. De não querer se molhar. E de resmungar quando os pingos começaram a cair. Percebeu que estava virando mesmo um cogumelo ( como diria o sábio Pequeno Príncipe).

Esqueceu-se da delícia de se molhar na chuva. De colocar barquinho de papel no fio de agua que corre pelo meio-fio. De ficar com os dedos enrrugados. De pular nas poças d'agua. De molhar e sujar a roupa. De rodar com os braços abertos. E de levar bronca da mãe ao chegar em casa.

A menina sentiu-se pequena por correr da agua que caía do céu. E por um instante ela olhou a chuva com os olhos da infância que ainda há dentro dela. Olhou somente. O corpo da menina não teve forças para novamente tomar banho de chuva, molhar os cabelos e enrrugar os dedos. Olhou as horas novamente. Viu os pingos da chuva enfraquecerem quase que por tristeza de ver que a menina perdera seu encanto. A menina atravessou a rua correndo com a bolsa sobre a cabeça. Entrou no onibus com o olhar cansado. E a chuva desistiu de pingar, na tristeza de ver que a menina, realmente, virara um cogumelo.


[11 de novembro de 2006]

A ilusão da democracia

"Por maior que seja a tentação de se entregar ao efeito anestésico das ilusões, não há como negar que viver numa "democracia representativa" significa que as decisões são tomadas sem o voto popular. Significa que o cidadão não vota as leis que está obrigado a obedecer e nem participa diretamente das resoluções dos assuntos públicos. Ele elege representantes, os líderes políticos, para decidir em seu lugar. Apesar disso, o cidadão, com a mesma naturalidade que julga normal a sua não participação na vida pública, exceto no momento da eleição, acredita piamente que vive num Estado verdadeiramente democrático e dificilmente admitirá que os Estados sob o governo representativo são todos oligárquicos, simplesmente porque, na realidade, é uma minoria quem efetivamente governa."

Jorge José da Costa (mestre e doutorando em ética e filosofia política pela USP)

Em momentos como estes, não há como abster-se de falar sobre política....


[06 de novembro de 2006]

Os meus olhos teimam em ver a cidade, cinza, sempre.
O meu coração insiste em sentir.
Saudade.
Minha alma reluta dentro do meu corpo.
Minhas pernas se cansam.
Minha mãos, soltas.
Meus ouvidos doem com seu barulho.
Mas a minha razão ordena calma.
Orderna que as lágrimas sejem enxugadas.
E a tristeza ocultada.
E a sensação de se sentir sozinha, em meio a multidão.
A razão me pede a paciência que eu não consigo dar.
E meu coração teima em procurar os motivos, em vão.
Meus olhos se perdem no que eu desconheço, no que eu não sinto, no que eu não amo.
Perdida.
Sempre.
A cidade cinza.
Por mais que a menina tente.
Como o cachorro, que caiu do caminhão de mudanças...
[30 de outubro de 2006]
A vida vira poesia. Nos olhos da menina. Poesia somente. Sem o dever de ser tristeza ou alegria. Metáforas que brincam em sua cabeça. O relógio que bate devagar na parede azul. Lentamente. Preguiçoso. O vento gelado que entra pela fresta da janela. O quase silencio quebrado pelo barulho do ventilador. A menina chega a gostar da solidão.
As malas que não foram desfeitas. Em cima da cama que não foi arrumada. A poeira em cima dos móveis. E a luz do banheiro queimada. As janelas fechadas, que quase fazem a menina esquecer da cidade cinza. Fecha os olhos para o sol ou para a chuva que cai lá fora.
Deita na rede, olha o céu. Esse mesmo céu que abriga as pessoas do coração da menina. E então, aqui, agora, faz de conta que não existe distância. E daí, nada mais importa. As metáforas fazem cosquinhas na sua cabeça. E seus olhos fazem poesia da vida. Sem o dever de ser tristeza ou alegria...


[17 de outubro de 2006]
Os meus principios ninguem toma.
As minhas regras sou eu quem faço.
A minha vida sou eu quem dirijo.
Simples assim.
Ah, o mundo me cansa.
A barulho da cidade cinza.
O cheiro dos carros na rua.
A doce ilusão da felicidade.
E da eternidade.
Pois, apesar de tudo, de toda a indisciplina, de toda a gritaria, de todas as dúvidas. Meu coração teima em pedir segurança. Andar descalça pelo caminho da vida. Passar pela porta estreita.
O coração da menina se cansou do mundo, de suas promessas, de suas ilusões.
Agora ele bate devagarinho, cansado, calmo e sereno. Pedindo um pouco de Deus.



[06 de outubro de 2006]
Ah, quer saber? Eu não sei mesmo o que fazer.
E daí? Ninguém sabe...
Você está acostumada a viver sozinha. Sempre.
Aliás, você se acostumou a ir no cinema sozinha, escolher o filme que quer e a não ter ninguém de nhém-nhém-nhém no seu ouvido durante o filme. Sabe, estar sozinha é uma posição cômoda. Uma posição boa, eu diria, de certa forma.
E de repente você não sabe.
Você se vê de frente para o espelho, duas blusinhas na mão, os pés descalços e um ponto de interrogação na meio da sua cara no lugar onde deveria estar a maquiagem. O relógio desperta (aquele relógio que você pôs pra despertar para não chegar atrasada.) Você coloca qualquer uma das blusinhas correndo, o seu salto mais alto e tenta disfarçar o ponto de interrogação com um pouco de pó e blush (se é que isso é possivel...)
Daí em diante a coisa só tende a piorar.
Você chega, não sabe se beija, se abraça, se aperta a mão ou se diz apenas "oi, eu demorei?". Depois não sabe se assiste o filme que quer, se pergunta qual ele quer assistir (correndo o risco de ficar ouvindo tiros a noite inteira) ou se tenta entrar num acordo ( o que normalmente resulta em um filme que nenhum dos dois realmente queira assistir.).
Tudo bem, ele é legal, inteligente, bonito e pergunta como foi seu dia.
Ela também, finge ser normal melhor do que ninguém... Fala da faculdade, do ultimo filme que entrou em cartaz, é inteligente e bonita.
Relaxa.
Ninguém sabe o que fazer.
Você olha pra ele, e lá está, um imenso ponto de interrogação. Ele também não sabe. Se segura sua mão. Se compra alguma coisa. Se olha pro relógio ou põe as mãos no bolso. E lá vamos nós...
Ela não sabe, se deve ser ela mesma. Se pode rir alto. E contar piada. E falar mal do governo. Ou se deve, fingir que é normal. Rir quando ele tentar ser engraçado. Falar baixo. E deixar ele pagar tudo (por mais que ela não goste).
Ele não sabe se fala de poesias, sobre filhos ou musculação, simplesmente por que não sabe se você vai achar lindo ou se vai rir da cara dele. Tudo porque ele está perdido... e quem não está?
Tudo bem. Você se resolve e finge que é normal, reações contidas, fala baixo e anda de mão dada com a dele.
Normal.
Ambos estão cansados.
Ambos estão perdidos.
Ambos estão confusos.
Assim como todas as outras pessoas que passam pela rua...


[02 de outubro de 2006]
Eu me acostumei a guardar os sonhos no armário.
A andar calçada ao caminhar.
A adiantar o relógio.
E a sufocar meus gritos.
Normal. As regras. As normas. E os principios.
Tudo metódicamente planejado.
Sempre.
E agora, não sei.

Caminhar de mãos dadas com a sua me assusta.



[30 de setembro de 2006]
A vida é um eterno baile de máscaras.
O dia amanhece e se coloca, a mascara de cada dia.
Finge ser quem não é.
Finge ter carater.
Finge sorrir.
Finge dançar.
Finge ter amigos.
Finge acreditar na própria mentira. (acho até que se chega a acreditar)
E não há coragem para se retirar a máscara.
Há o medo.
De perceber.
Que o sorriso é lágrima.
E que as amizades são como as cobras.
E que ninguém acredita na máscara que se põe.
Mas não tem problema... enquanto você finge ser feliz, a menina também finge acreditar.
Porque todo mundo tem uma máscara escondida na manga.

É, a cidade cinza.
Sempre cinza.
Triste, mas verdade.


[23 de setembro de 2006]
A menina tem um coração (e quem não tem?), doce as vezes, as vezes cansado e quase sempre cheio de perguntas sem respostas.
Um dos terrenos, no interior do coração da menina, está sempre ocupado.
Foi comprado logo que ela nasceu por pessoas a quem a menina aprendeu que se deve chamar de familia. É um terreno vitalício. Está sempre cheio, de açucar e de afeto e hoje em dia de saudade.
Um outro terreno guarda os momentos fatalicos, com muitas partidas de war, muitos téras na madrugada e tapioca na mesa.
Sabe, recentemente mais um terreno foi ocupado, por um quarteto fantástico (através da união de seus anéis).
Há também terrenos individuais (e não menos importantes é claro). A menina vento possui um deles. Uma flor possui o outro.
Quando a menina cresceu (apesar de não ter deixado de ser tão menina...) ela resolveu leiloar um dos espaços que há em seu coração.
- Quem dá mais, quem dá mais. Gritava a menina.
E gritou por anos.
E muito demorou até que alguem aparecesse.
Ainda de vez em quando aparecia um ou outro, ficava algum tempo, mas a menina era menina demais e o terreno ainda não estava pronto.
Certa vez a menina o quis vender a um amigo, mas a única coisa que ele tinha a oferecer era alguns dias de carência. E isso não era suficiente. Porque na verdade ele já possuia outro terreno. E deixou a menina com a sua comprreensão.
Outra vez, o menino moreno o quis comprar. Mas também não possuia muita coisa a oferecer. Havia dado tudo ao mundo e nada sobrara à menina.
Teve também o menino carente que queria de qualquer jeito comprar o terreno. Tentou com flores e com telefonemas incansáveis. Mas para este a menina não queria vender. E não adiantou a insistencia.
E assim, o terreno foi ficando abandonado.
Foi guardando as desilusões, os arrependimentos e os casos mal-resolvidos.
E com o tempo a menina foi se cansando de gritar.
Não havia mais voz.
- Quem dá mais. Fala ela baixinho que até chega a esquecer.
- Tem alguém aí?
Mas só o eco responde: tem alguém aí, alguém aí, alguém aí...
O terreno está vazio, acumulando velhas lembranças, juntando poeira e repetindo o eco.

Mas, agora não importa.
A cidade ao redor da menina não é cinza.
A flor está ao seu lado.
A placa de vende-se foi retirada.

Temporariamente.



[09 de setembro de 2006]



Eu não quero mais falar, pensar e escrever sobre o que mandam e nem ter que cumprir com as minhas obrigações.

Eu quero as respostas para os meus gritos e para as minhas lagrimas.

Eu não quero falar sobre a luta de classes, eu quero falar da minha luta contra mim mesma pra ficar na cidade cinza.

Eu não quero falar das ideologias, eu quero ter novamente meus principios na mão.

Eu não quero saber da emancipação da classe trabalhadora, eu quero poder ser dependente e pedir colo.

Nem quero saber de projeto societário, eu quero fazer planos pro meu futuro e andar descalça no caminho da vida.

O que eu quero agora é achar respostas pras lágrimas que caem quietinhas embaixo do chuveiro.

E pra dor que se sente quando se olha para o lado.

Para o silencio.

Para o espaço ao meu lado enquanto caminho.

E para o telefone que insiste em não tocar.

Eu preciso de respostas, porque meu nome é egoísmo e o centro do mundo é o meu umbigo.



[28 de agosto de 2006]
Ela agora silencia.
Chora embaixo do chuveiro
E reza baixinho.
Por Ele ser tão bom com ela.
Pela rotina
E pelos passos lentos....
Porque um dia ela fez um pedido ao papai do céu.
E toda vez que ela se esquece, Ele a deixa de castigo.


[20 de agosto de 2006]




Tem certas coisas que eu tenho medo de escrever.

De escrever e de falar em voz alta.

Porque tenho medo de minhas próprias dúvidas.

E de minhas convicções abaladas.

Tenho medo de perder as certezas que um dia tive...

E de ver meus principios fazerem eco na escuridão.

De perder o chão. ...

Porque no exato momento em que me deito, as dúvidas preechem minha falta de sono.

E me fazem doer a cabeça.

E pedir ao relógio que pare.

Ao mundo que silencie.

E à vida que espere: porque a menina, agora, está perdida...



[03 de agosto de 2006]





Ela é uma menina de cabelos curtos, tingidos periodicamente. Unhas pintadas, esporadicamente. Óculos de aro preto. Cara amassada ao acordar. E olhos inchados, nos dias das lágrimas. Ela prefere as roupas que não precisam passar, preguisozamente. E as comidas que só se precisa esquentar. Usa sandálias confortáveis, ao invés de ficar se equilibrando no salto. E torra no sol durante as férias pra ficar com a marquinha do biquini. Gosta das bolsas grandes, que caibam tudo que se precisa carregar. E das bolsas das amigas, pra enfiar o dinheiro e o celular e sair, despreocupadamente. Usa filtro solar diariamente. Reparador de pontas semanalmente. Hidratante no corpo quando lembra. E maquiagem quando dá vontade. Ela fala alto. E fala muito. Faz piada de tudo, as vezes até do que não pode, impensadamente. Ela ri estrondozamente. Dela mesma, principalmente. A menina vai ao cinema sozinha, escolhe o filme que quer e as vezes conversa com a pessoa da poltrona ao lado. A menina tem suas próprias regras, como numca beijar desconhecidos e sempre respeitar os horarios (quando dá..). É uma menina de convicções, ainda que abaladas ultimamente. A menina come o tanto que tem vontade. Engorda uns quilos de vez em quando e os emagrece quando tem vontade. Tem celulite. Mau hálito quando acorda. E sono depois do almoço. A menina expressa sua alegria como bem lhe entende, e isso inclui cantar no videokê e dançar em cima da cadeira de vez em quando. E por tudo isso, a menina está condenada a ficar encalhada, eternamente....





[26 de julho de 2006]
Quando se vai pra o campo de batalhas, mais do que ganhar, é preciso aprender... E rápido, porque os ponteiros do relógio não param de rodar enquanto você está em dúvida. E a vida é curta demais para se perder tempo pensando se a blusa verde combina com a bolsa de mão marrom. É curta também para se gastar as horas dormindo pra ver se a tarde passa logo. E assim a semana passa mais rápido, pra ver se chega mais depressa o dia de partir... Ao invés disso é melhor chorar um pouco, reclamar outro pouco, perder um minuto escrevendo que "a vida dói" e "a cidade é cinza" para logo levantar e viver a vida que se tem. E mais que isso, se aproveitar a vida que se tem, se deliciar com a vida que se tem. É preciso parar, pelo menos uns segundinhos pra se pensar o valor da vida. Para assim deixar de viver tão mecanicamente. E perceber quanta coisinha boa a cidade cinza tem e quantas mais coisinhas ela tem me ensinado. O sol do meio dia que queima a minha pele me deixa sempre com a cor do verão. O almoço no R.U. (restaurante universitário)que tanto se fala mal, que tanto se mete o pau, traz as melhores risadas do quarteto mágico. E os finais de semana me ajudam a viver, me ensinam a ter fé e ainda coloca pecinhas preciosas na minha vida. Morar aqui me ensinou a gostar de azul. A ter paciência quando se precisa ( e sempre se precisa ) e a entender que existem coisas que não dá pra mudar, e que o tempo não dá pra voltar. Me ensinou a chorar baixinho no banheiro, a ligar a TV pra não ficar sozinha em casa e a tomar café-da-manhã com o Bom Dia Brasil. E a ir no cinema sozinha. Me ensinou ainda que passar a tarde lavando roupa muitas vezes ( na maioria das vezes ) é bem mais divertido do que ler o texto que a professora, mestra, doutora sei-lá-o quê mandou ler para a próxima aula. Na cidade cinza aprendi a tomar banho de balde nos dias frios, a conversar com desconhecidos (quando eu era criança isso não podia!), tomar capuccino para se prestar atenção na aula, falar em público (isso eu aprendi muito bem), pegar carona e a caminhar do lado das pessoas ( e isso é o que importa). E que rir nem sempre é o melhor remédio, as vezes é preciso chorar ou silênciar a própria dor. Entendi, muito recentemente e com muita dor, que apesar de eu saber muito bem o que é a morte (desencarnação, o espirito se desliga do corpo, o corpo "morre" o espirito não e blá, blá, blá...), eu não sei como lidar com ela, e muito menos com as lágrimas que ela faz brotar dos olhos das pessoas queridas. A cidade cinza me ensinou em dois anos o quanto eu sou capaz de suportar e nesse mesmo tempo me fez virar gente grande. Isso mesmo, gente grande, dessas que têm celular, cpf e conta pra pagar, e que apesar disso ainda consigue ver a cobra que engoliu o elefante, imitar o macaco e dançar a galinha carijó. A cidade cinza me ensinou a calcular, A calcular o valor das coisas. Por exemplo, quanto mais dias se passa na cidade cinza mais gostoso se torna os segundos da cidade colorida. Quanto mais se come a comida do R.U, a comida de casa fica o dobro mais gostosa e a da casa da vó então fica o triplo. E me ensinou ainda uma outra conta, uma conta que só aprendi há pouco tempo (e que é em medida, muito contraditória): quanto mais tempo se vive na cidade cinza, mais se aprende a gostar dela


[04 de julho de 2006]
A gente cansa dessa vida.
Dolorida, que se arrasta pelos dias....
Mas com o tempo até que a gente se acostuma.
A ficar longe de casa.
A estar sozinha.
A não ter dinheiro.
E a ter saudade.
Se acostuma.
Mesmo que não goste muito.


[07 de junho de 2006]
Doloroso sentir isso.
Tudo está acontecendo enquanto eu estou aqui sentada dando milho aos pombos. Todos estão se encontrando enquanto eu estava aqui batendo palmas.
Alguém me explica. Se há uma receita. O que eu estou fazendo de errado. Como consigo estragar tudo, mesmo antes de tudo começar.
Por que eu assusto as pessoas.... Sabe, cansei mesmo.
As janelas continuam fechadas.
E as portas trancadas.
E não há ninguém nas ruas.
Cansei das comédias romanticas.
E dos dramas.
E das comédias (non sense) que tanto assustam os homens.
Quem sabe perderam... o que estava guardado pra mim.
Quem sabe sou frigideira.
Ou ainda quem sabe o pé cansado não gostasse de chinelos velhos e resolveu comprar uma bota.

Agora com licença, que vou ali, rapidinho, alugar um filme, comprar um pote de sorvete e me afundar na minha solidão...


[26 de maio de 2006]
Sabe... cansei.
Dos dias nublados.
Do barulho do relógio.
Da porta fechada.
Da solidão.
Do rosto no espelho, que vejo agora.
Do barulho da TV.
Das músicas antigas.
Da fé, que agora me parece mecânica.
Dos pontos de interrogação.
Da janela cerrada.
Da página em branco.
Do riso estrondozo.
Das palavras secas.
Da máscara que se põe.
Da dor de cabeça que se sente
Da falta de vontade.
Do relógio que bate.
Dos 20 anos.
Do barulho lá fora.
E do silêncio (aqui dentro).
Dos pés calçados.
E de se equilibrar no salto.
Do vento seco.
Das folhas que caem na calçada.
Do sol que queima a pele.
E do frio que a faz ressecar.
Do padrão que se deve seguir.
E das regras que não se pode quebrar.
Sabe... cansei, da vida que se sobrevive.
Da dor e da solidão que se sente....

Agora com licença, que eu vou ver se acho por onde eu me perdi, e volto já.


[20 de maio de 2006]
Já dizia o sábio Vinicius de Moraes....

(...) Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
(...)
A vida é a arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão...
[11 de maio de 2006]